quinta-feira, 26 de novembro de 2009

SOBRE O LIVRO


"ERA UMA VEZ... UM MUNDO"



A responsabilidade do interesse pela literatura na infância é, normalmente, dos adultos. São os adultos que escrevem os livros e imaginam as personagens, os cenários, os tempos e os acontecimentos. São os adultos que ilustram os livros, que usam as cores e o traço que vai dar forma a um texto. São eles que escolhem o que é publicado. Também são eles que organizam as bibliotecas ou têm as livrarias. Nem conseguiríamos imaginar este mundo de outra maneira. São os pais que compram livros para seus filhos, quase sempre, e quase sempre são os professores que indicam leituras aos seus alunos. Como é óbvio, sem estas iniciativas a literatura infantil não existiria. Ou talvez sim, mas seria certamente diferente. E sim, a literatura infantil não é só para os pequeninos é também para os crescidos. Os crescidos deleitam-se a contar histórias, a escolhê-las, a escrevê-las e a ilustrá-las para gáudio de miúdos e graúdos.

Mas, desta vez, aconteceu um grupo de jovens se ter interessado por passar uma mensagem que consideraram pertinente – a Multiculturalidade. No Colégio Marista de Carcavelos oito jovens fizeram do seu projecto um livro ilustrado dirigido aos mais pequenitos. O orientador da disciplina de Área de Projecto, Professor António Coelho, desafia permanentemente os seus alunos e este grupo deixou-se contagiar pela Multiculturalidade, que será apresentada de uma forma muito criativa, em quatro contos, cada um dirigido a um grupo etário diferente. A OLHA Edições acreditou e, por ter acreditado, editou o livro “Era uma vez... um Mundo” (ISBN: 978-989-96002-0-1).

A história de abertura “Cidade dos Fantasmas Felizes” está destinada às crianças dos 3 aos 5 anos e é um desafio aos sentidos. Apresenta-se a preto e branco e está permanentemente envolvida num jogo de sons, sensações e várias perspectivas e volumes. Da história não digo nada, pois se as crianças de três anos tiverem medo do escuro, rapidamente se apaixonarão pelo Escurinho e, de algum modo, aplaudirão a sua inteligência. Só quem não conhece o Escurinho é que pode ter medo de fantasmas.





O segundo conto, “Uma cidade diferente”, destina-se aos primeiros leitores (5 aos 6/7 anos). Trata-se de um diálogo entre duas personagens principais, Flora uma fada linda e feliz, e Aurora uma fada linda e antipática. A ilustração desta história conduz o leitor a sentir as emoções das duas frágeis fadinhas. Será que elas conseguirão ajudar aqueles que as envolvem? Aqui a questão do que é realmente importante é colocado através de um desafio que surge em cada fala. Ora pergunto eu, ora respondes tu.



Segue-se um conto fabuloso e hilariante, a “ Uma cidade de vegetais”. Temos dois protagonistas, os irmãos brócolos Pepe e Pop num conto destinado aos leitores de 7 até aos 8/9 anos. É um conto que aborda a temática da Multiculturalidade e não só. Há uma clara abordagem à sociedade consumidora de fast-food, onde os legumes são postos ao lado do prato, somos levados a conhecer a vantagem dos legumes, embora seja feito de forma indirecta. Também se descobre a importância da diferença e o que pode levar a essa diferença, e ainda se faz uma breve abordagem à problemática ambiental. Com este conto irão viver uma aventura com um desfecho inesperado, pois só quem não conhece Pepe e Pop é que pode não gostar de vegetais.


Por fim, o amadurecimento temático surge em forma de conclusão com “Safi e os ladrões de cavalos”. Temos ou não direito à diferença? Seja de ordem cultural, religiosa, política, geográfica, musical, estética e tantas outras formas que enriquecem o diálogo, a partilha. Estes jovens, talvez por estarem mais próximos dos mais pequenos, enriqueceram substancialmente um tema tão vasto e de uma forma tão simples e inocente, onde alguns adultos se perdem e não encontram a verdadeira essência da partilha e de quanto é enriquecedor sermos todos diferentes.


Neste livro de contos, denominado “Era uma vez... um Mundo”, o mais importante é todos terem contribuído e concordado na necessidade de compreenderem as capacidades intelectuais e pedagógicas das crianças e transformarem este projecto, num importante instrumento de cidadania. Nem sempre se fazem boas escolhas, mas este livro sê-lo-à certamente. Será publicado e vendido, para que outras crianças usufruam deste surpreendente instrumento de desafio e promoção do diálogo multicultural. As escolhas passam muitas vezes pela ilustração porque o desenho é a inteligência da arte. Estas ilustrações mostram o lado estético das palavras que, em parceria, se foram desenvolvendo. Os sons da leitura destes quatro contos transformou-se numa música colorida e dinâmica oferecida pelo texto e pelas ilustrações. Cada página é uma novidade que se procura desvendar e toda esta dinâmica é conseguida pelo jovens artistas, que sob orientação apertada do professor António Coelho, chegaram ao fim satisfeitos com o produto final. Tal como no livro “O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry, a palavra cativar também se aplica à minha relação com este livro e ao envolvimento a que me levou, a que me cativou. Por isso o edito no próximo dia 29 de Novembro. Parabéns aos jovens Carolina, Inês F, Inês R, Mafalda, Tânia, ao Carlos, Diogo e João Nuno.

“… O desejo interior de ler não nasce sozinho, ele é provocado por todo o meio ambiente que inclui o livro como elemento positivo” ( Du parler au livre, L. Lentin 1983).

Paula Viotti



O livros está à venda directamente na OLHA Edições ou no Colégio Marista de Carcavelos.


Se pretender adquiri-lo, basta enviar um e-mail com o pedido para paula.viotti@meo.pt.



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