
Ele foi mas as memórias ficam.
RIP António.














Aristides Sousa Mendes, com o rabino Krueger, em Lisboa, no ano de 1940
VIDA
Aristides de Sousa Mendes nasceu a 19 de Julho de 1885, em Cabanas de Viriato, perto de Mangualde. Em 1910, iniciou a sua carreira de diplomata em Demerara, na Guiana Inglesa, seguindo-se, no ano seguinte, a colocação em Zanzibar, na Índia. Em 1918, exerceu funções em Curitiba, no Brasil, das quais foi suspenso, acusado de ser anti-republicano e anti-democrata. Passados dois anos, a pena foi-lhe levantada e Aristides apareceu colocado em S. Francisco, EUA, onde ganhou a animosidade de elementos da comunidade portuguesa, acusados pelo diplomata de favorecimento próprio à custa dos seus compatriotas. Aristides voltou então para o Brasil, onde permaneceu até ao golpe do 28 de Maio de 1926. Chamado a Portugal, seguiu no ano seguinte para Vigo, Espanha, e, depois, para Antuérpia, Bélgica, onde foi condecorado por duas vezes pelo rei Leopoldo III com as insígnias de Oficial da Ordem de Leopoldo e de Comendador da Ordem da Coroa. Entretanto, casou com uma prima, de quem teve 14 filhos. Em 1938, foi transferido para o consulado de Bordéus, França, onde se desenrolaram os acontecimentos que haveriam de transformar a sua vida.
Em 1940, perante o avanço das forças nazis em França, Aristides de Sousa Mendes e à revelia das ordens de Salazar, passou milhares de vistos que permitiram a cerca de 30 mil perseguidos do nazismo, dos quais 10 mil judeus, alcançar Portugal e daqui os EUA. A acção decorreu durante três dias e prolongou-se por Baiona e Hendaia onde, nesta terra fronteiriça, ainda conseguiu fazer passar uma coluna de mil refugiados, apesar das indicações dadas aos guardas espanhóis de não validade dos vistos passados pelo diplomata português.
A sua atitude mereceu a condenação de Salazar, que ordenou o seu regresso imediato a Portugal e lhe mandou instaurar um processo disciplinar sob a acusação de "desobediência, falsificação de escritos, abandono de lugar e concussão'. Aristides ainda se defendeu junto da Assembleia Nacional, mas o veredicto foi implacável. Em Outubro de 1940, foi condenado à "pena de um ano de inactividade com direito a metade do vencimento de categoria, devendo em seguida ser aposentado".
O diplomata conheceu então grandes dificuldades que o levaram a perder a família que se dispersou por diversos países e a ter de vender o património. Em 1954, no Hospital da Ordem Terceira, encontrou a morte depois de uma prolongada doença e muitos anos de uma vida próxima da miséria.

Aristides Sousa Mendes e família
Procurar dia 1 de Junho 2005
Álvaro de Sousa Mendes, neto de Aristides de Sousa Mendes transmite a mensagem dos "valores actuais" deixados pelo avô.
Setenta anos passados, os jovens precisam de aprender os valores deixados por Arisitides Sousa Mendes, algo que o neto Álvaro recorda a cada nova evocação da memória do avô. "Deu-se a milhares de pessoas que não conhecia", afirmou, ontem, na visita ao Colégio Luso-Internacional do Porto (CLIP).
É essa a lição que ensina sempre que visita uma escola para explicar o que foi o Holocausto e o papel que Aristides de Sousa Mendes teve na vida das milhares de pessoas a quem deu vistos de entrada em Portugal, à revelia das ordens de Salazar: a de "querer saber dos outros e dar a mão aos outros".
Álvaro Sousa Mendes, presidente do Conselho de Administração da Fundação Aristides de Sousa Mendes, confessa sentir o "peso enorme da responsabilidade" de passar a mensagem "de solidariedade e de amor pelo próximo" que herdou da vida do avô. "O aspecto educativo é um dos principais objectivos da Fundação", esclareceu, antes de falar aos cerca de 200 alunos do CLIP que encheram o anfiteatro do colégio para o ouvirem.
É durante estes encontros que Álvaro tem a certeza da admiração que as gerações mais novas têm pelo cônsul Aristides de Sousa Mendes. "Sinto grande satisfação por ver os jovens tão interessados nesta temática", explicou.
É para materializar o legado do cônsul português em Bordéus, durante a Segunda Guerra Mundial, que a Fundação a que Álvaro preside pretende recuperar a casa onde Aristides de Sousa Mendes viveu, em Cabanas de Viriato, Carregal do Sal, Viseu. Lá, o sonho é construir um "Museu do Holocausto, uma biblioteca e um arquivo" para que o legado de Aristides de Sousa Mendes não caia no esquecimento.
ONTEM no Jornal de Notícias
| SOLIDARIEDADE - FINALISTAS 2009/2010 |
Na Viagem de Finalistas a Cuba, os alunos pretendem ajudar as duas Comunidades Maristas - Cienfuegos e Havana - que existem na ilha, levando consigo bens como, medicamentos e material escolar: Vitamina c – Cecrisina, Redoxon ou outro; Vitamina b1 e b6 –Becozyme ou outro; Mucossolvan, Broncoliber, Bissolvon ou outro;Bisoprolol Jaba, Concor ou outro; Voltaren, Flameril, ou outro anti-inflamatório; Aspirina 500; Parlodel ou outro; Lápis de carvão e de cor e Borrachas. As marcas de medicamentos apresentadas são exemplos. 26 de Janeiro a 05 de Fevereiro Os medicamentos deverão ser entregues em embalagem fechada na Dádinha, o material escolar deverá ser depositado nas caixas que se encontram com corredor principal.
RETIRADO DAQUI |

(Tal e qual a desa pren deu Luiz Car los Ramos,
no Livro das Igno rã ças, de Manuel de Bar ros)
— Muito bem, cri an ças. Hoje vamos apren der a fazer poe sia com o poetaManuel de Bar ros…
Não se pre o cu pem, essa des gra má tica é apro pri ada a poe tas – essa dis cordân cia de número: o João é de Barro, mas o Manoel, de Barros…
Isso por que os poe tas são sem pre seres plu rais. E, na poe sia, o que importa não são as regras, mas os acidentes.
Foi o Roga ci ano, que era índio guató, que con tou a ele seguinte cosmologia:
“O mundo não foi feito em alfa beto. Senão que pri meiro em água e luz. Depois árvore. Depois lagar ti xas. Apa re ceu um homem na beira do rio. Apa re ceu uma ave na beira do rio. Apare ceu a con cha. E o mar estava na con cha. A pedra foi des coberta por um índio. O índio fez fós foro da pedra e inven tou o fogo pra gente fazer bóia. Um menino escu tava o verme de uma planta, que era pardo. Sonhava-se muito com pere re cas e com mulhe res. As mos cas davam flor em março. Depois encon tra mos com a alma da chuva que vinha do lado da Bolí via – e demos no pé.”
Manoel, o poeta de Bar ros, conta que apren deu a fazer poe sia brin cando de des gra má tica, ou como ele cha mava, de agra má tica… é, de fazer defeito nas fra ses. ” Há que ape nas saber errar bem o seu idi oma”, explica.
A brin ca deira é assim, ele desen sina: Pri meiro, a gente tem que desin ven tar obje tos. O pente, por exem plo. Dar ao pente fun ções de não pen tear. Até que ele fique à dis po si ção de ser uma begô nia. Ou uma gra va nha. Usar algu mas pala vras que ainda não tenham idi oma. Repe tir repe tir – até ficar dife rente. Por que Poe sia é voar fora da asa. Ser puxado por ven tos e palavras.
Vamos ten tar? O Manoel começa e vocês continuam:
“ — Tirei as tri pas de uma palavra.”
“— A chuva defor mou a cor das horas.”
“— No chão da minha voz tem um outono.”
“— Sobre meu rosto vem dor mir a noite.”
“— Eu sou cul pado de mim.”
“— Eu escrevo o rumor das palavras.”
“— Lugar sem com por ta mento é o coração.”
“— Escuto a cor dos peixes.”
“— O escuro enfra quece meu olho.”
“— Ando muito com pleto de vazios.”
“— A minha inde pen dên cia tem algemas.”
“— Inclino a fala para uma oração.”
“— As coi sas me ampli a ram para menos.”
“— Me man ti mento de ventos.”
…
— Para béns cri an ças, vocês já estão diplo ma das em desgramática!